A Gesivaldo Gomes - Valdo

(Refazendo um poema perdido há mais de vinte anos)

Seus olhos, ainda abertos, serenos, imóveis,
Olhando o céu, nada veem.
Talvez ainda estejam em suas retinas congeladas,
As imagens das lutas travadas,
Mas seu corpo jaz inerte
De costas para o solo.
Nós, os companheiros revolucionários, chegamos tarde,
A Revolução, sua opção de vida, não aconteceu.
Antes chegou a morte
Na faca traiçoeira do algoz,
Disfarçado de amigo,
Ao serviço da reação.
Nos corações frustrados dos companheiros,
Acima do desejo de vingança,
Valdo se alça da estrada ocre e poeirenta
Onde seu sangue já formou pedaços endurecidos
Como um monumento à continuidade da luta,
Uma ode à Revolução que não verá.
O morto, morto está,
Mas vive sua memória.
A luta continua
Até a vitória final.

Celso Felizola, abril de 2014

 

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