Acordo Cuba-Estados Unidos da América do Norte


Após meses de intensas negociações, os governos cubano e norte-americano chegaram a um acordo inicial que se concretizou, principalmente, no campo político e diplomático, permanecendo ainda o Bloqueio Econômico de mais de 50 anos. No campo político o destaque (apesar do silêncio da grande imprensa sobre o fato) o destaque foi para a libertação dos três últimos dos cinco cubanos presos injustamente nos EUA por mais de 16 anos (os outros dois já haviam cumprido suas injustas penas). Cuba, em contrapartida, libertou um agente norte-americano e um empresário acusado de espionagem.
Quais os fatores que influenciaram nesse acordo?
Apesar da permanência do bloqueio econômico assassino perpetrado pelos EUA contra Cuba, o Presidente Obama consegue romper o isolamento internacional a que seu país foi submetido com a permanência das sanções contra a Ilha. Basta ver que o Bloqueio já foi condenado por um sem número de sessões da ONU.
Por outro lado, a crise econômica que permanece nos Estados Unidos reclama por espaços onde seu empresariado possa investir com maior lucratividade. A expectativa de longo prazo é que o potencial produtivo da ilha, já explorado por empresas de outras partes do mundo, possa ser usados também pelo Tio Sam com a finalidade de colocar no mercado internacional a preços competitivos seus produtos industrializados produzidos a partir de empresas sediadas em Cuba. Para isso o acordo tem que avançar.
Politicamente, a manutenção do Bloqueio é meramente um capricho e uma exigência do setor ultrarreacionário norte-americano e da única comunidade estrangeira com poder político sobre a sociedade nativa dos Estados Unidos: os cubano-norte-americanos.
Quais os riscos bilaterais?
Hoje, apesar do bloqueio e das sanções, um sem-número de norte-americanos visitam a Ilha todo ano. Para Cuba, o aumento desse fluxo e a queda das barreiras diplomáticas podem acarretar em um aumento da espionagem e de ações contra o regime. Mas isso está na conta. O aumento da quota de envio de dólares por familiares de Miami deve acentuar as desigualdades e o aumento da oposição interna. Essas e outras possibilidades não devem ser problemas intransponíveis para um povo que por mais de cinquenta e três anos resistiu às mais sujas pressões da maior potência militar e ideológica do planeta.
Nos Estados Unidos o clima não é apenas de alívio, mas também de presságios: a linha dura, unida aos mafiosos de Miami não darão trégua. Obama, ainda que conquiste a opinião internacional, internamente passará por grandes pressões. A pergunta que fica é: existe algum paralelo entre Barack Obama e Kennedy?
O tempo responderá com todas as letras.


Celso Felizola, 17/12/2014.